Um ano após o devastador terremoto no Haiti, os cidadãos do país mais pobre do Hemisfério Ocidental já alcançaram muito com a ajuda internacional, mas ainda há muito mais a ser feito, de acordo com o Coordenador Humanitário das Nações Unidas no Haiti, Nigel Fisher. “Claramente, os esforços de reconstrução e recuperação são prioridade absoluta para 2011”, disse ontem (10/01), dois dias antes do aniversário do desastre, em coletiva de imprensa em Nova York. “Obviamente, as coisas poderiam ter sido mais rápidas, mas é importante lembrar que a reconstrução leva tempo. (…) Em retrospecto, acho que podemos dizer que a resposta inicial ao terremoto foi um sucesso.”

O Secretário-Geral Ban Ki-moon fala na Sede da ONU, em Nova York, durante a cerimônia que lembrou o aniversário de um ano do terremoto que atingiu o Haiti, em janeiro de 2010. Foi feito um tributo para os funcionários da ONU, além das milhares de vítimas, que faleceram no trágico evento. Na foto, de 12 de janeiro de 2011, com Ban Ki-moon está sua esposa, Yoo Soon-taek (a direita), a Vice-Secretária-Geral da ONU, Asha-Rose Migiro, a Administradora do PNUD, Helen Clark (segunda à esquerda), a Representante Permanente do Brasil junto às Nações Unidas, Maria Luiza Ribeiro Viotti (terceira à esquerda) e o Subsecretário-Geral de Operações de Paz, Atul Khare. Nas Nações Unidas, Nova York. Foto: ONU/Paulo Filgueiras.
Ele apontou que o apelo de emergência foi financiado em quase um bilhão de dólares, 72% do necessário. Mas o déficit de 400 milhões afetou alguns setores, com a coordenação e gerenciamento de acampamentos “criticamente sub-financiada.” Enquanto isso, 95% das crianças que já estudavam antes do terremoto retornaram às salas de aula.
Para o próximo anos, foram aprovados três bilhões de dólares em projetos, com 1,28 bilhões já financiados e 1,63 bilhões comprometidos e reservados. Mas o trabalho que vem pela frente é claramente um desafia que deverá durar mais de um ano. “Crucial para o nosso futuro,” acrescentou Fisher, é resolver a crise política nascida após o primeiro turno das eleições presidenciais de novembro.
Ele apontou, ainda, que a epidemia de cólera não foi consequência do terremoto, mas que pode chegar a afetar 400 mil pessoas e que é crucial reduzir as taxas de mortalidade. De acordo com a ONU, 2,2 milhões de crianças haitianas têm risco de contrair a doença e falta financiamento adequado para os programas de controle e prevenção da doença em escolas, orfanatos e creches. O apelo de 174 milhões de dólares lançado pela ONU para o combate à cólera só recebeu, até agora, 44 milhões em financiamentos.


