ONU lança no Brasil campanha para apoiar crianças que fogem da violência na América Central

Milhares de crianças chegam a Tapachula, no México, fugindo da violência em países da América Central. Foto: ACNUR

Milhares de crianças chegam a Tapachula, no México, fugindo da violência em países da América Central. Foto: ACNUR

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) lançou na terça-feira (20) no Rio de Janeiro a campanha “Crianças em Fuga”, que alerta para o flagelo de milhares de crianças que fogem da violência de gangues nos países do Triângulo Norte da América Central (El Salvador, Honduras e Guatemala).

Nos últimos cinco anos, houve aumento alarmante das solicitações de refúgio de pessoas vindas desses países, sendo a maioria crianças desacompanhadas. Segundo o ACNUR, em 2011 havia 17,9 mil refugiados e solicitantes de refúgio dessas nações, número que passou para 175 mil em 2016. Muitos deles têm buscado proteção no México, Estados Unidos, Belize, Costa Rica, Panamá e Nicarágua.

“Lançamos essa campanha em todo o mundo para promover uma melhor resposta a essa emergência”, disse a representante do ACNUR no Brasil, Isabel Marquez, durante o evento para o Dia Mundial do Refugiado realizado pelo Centro de Informação das Nações Unidas (UNIC Rio) no Palácio Itamaraty, centro da capital fluminense.

A representante da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no Brasil, Isabel Marquez. Foto: Cáritas-RJ

A representante da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no Brasil, Isabel Marquez. Foto: Cáritas-RJ

Segundo Isabel, crianças arriscam suas vidas nas viagens de fuga e, muitas vezes, são enviadas pelos próprios pais para tentar sobreviver à violência das gangues e da criminalidade em seus países. “Essas crianças chegam de qualquer maneira a qualquer país em uma situação de extrema vulnerabilidade”, declarou ela.

Desde o fim de 2011, o governo norte-americano registrou um dramático aumento do número de crianças desacompanhadas e separadas de suas famílias que chegam ao país vindas de El Salvador, Guatemala e Honduras.

O número total de apreensões de crianças desacompanhadas vindas desses países pelas autoridades fronteiriças norte-americanas subiu de 4.059 em 2011 para 10.443 em 2012 e mais do que dobrou em 2013, para 21.537, segundo o ACNUR.

“Vários esforços estão sendo feitos pelos governos desses países e pela sociedade civil, mas cada vez mais há situações em que não conseguem proteger, e essas pessoas, vítimas sobretudo de grupos criminosos, não veem outra solução a não ser fugir de seus países, arriscando suas vidas, e com um número significativo de crianças”, disse Isabel.

Recentemente, o Brasil anunciou estar preparando um plano para o reassentamento de famílias de Guatemala, Honduras e El Salvador que estejam em campos de refugiados no México ou em outros países da América Central.

“No ano passado, houve a reunião de alto nível da ONU em Nova Iorque e o Brasil se comprometeu a reassentar população do Triângulo Norte, especialmente mulheres e crianças”, disse Bernardo Laferté, representante do Comitê Nacional para Refugiados (CONARE) que também esteve presente no evento do Rio de Janeiro.

“A gente não está com o programa de assentamento pronto, infelizmente. Nós não somos rápidos, mas estamos fazendo, com o apoio do ACNUR”, declarou.

Assista abaixo ao vídeo da campanha:

 

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