No Japão, Guterres cita incêndios na Amazônia e desastres agravados por mudanças climáticas

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fala com jornalistas durante conferência realizada em Yokohama, Japão. Foto: ONU Japão/Ichiro Mae
O secretário-geral da ONU, António Guterres, fala com jornalistas durante conferência realizada em Yokohama, Japão. Foto: ONU Japão/Ichiro Mae

O secretário-geral da ONU, António Guterres, citou nesta quinta-feira (29) os incêndios florestais na Amazônia e os desastres agravados pelas mudanças do clima durante sua participação na 7ª Conferência Internacional de Tóquio para o Desenvolvimento da África (TICAD).

Na cidade de Yokohama, Guterres enumerou vários “incêndios destrutivos” e mencionou a “tragédia da Amazônia” após falar das queimadas devido às altas temperaturas que acontecem no Oceano Ártico.

Em declarações a jornalistas, Guterres destacou que a situação da Amazônia é séria, por estar ocorrendo em uma área “que é um recurso essencial para todos”. “Todos esses incêndios são extremamente perigosos e é necessário fazer de tudo para detê-los e ter uma política muito sólida de reflorestamento”.

“Acredito que a comunidade internacional precisa se mobilizar fortemente para apoiar os países amazônicos, a fim de fazer essas duas coisas: parar o incêndio o mais rápido possível com todos os meios possíveis e, em seguida, ter uma política de reflorestamento consistente.”

Para o chefe da ONU, até agora, obviamente, não fizemos o suficiente. “Precisamos fazer muito mais do que fizemos no passado e isso é na Amazônia, mas é verdade também em outras partes do mundo. Vimos os incêndios no Ártico, vimos os incêndios na República Democrática do Congo e em outras áreas da África”.

O chefe da ONU também declarou que a organização “está muito envolvida” na busca de uma solução através das equipes nacionais, que atuam junto dos governos. Elas mantêm contatos para avaliar se durante o Encontro de Alto Nível da Assembleia Geral, em setembro, “poderá haver uma reunião dedicada à mobilização de apoio para Amazônia”.

Falando aos líderes no encontro, Guterres disse que não é preciso ir mais longe do que ver o que aconteceu no ciclone Idai em Moçambique que foi o primeiro de dois a afetar o país em março matando 600 pessoas e desalojando milhares.

Ele explicou que a África tem uma “autoridade moral especial” sobre esse tema, e que o continente tem uma contribuição mínima no aquecimento global, mas está na linha de frente dos impactos das alterações do clima.

Guterres falou do Encontro de Cúpula sobre Ação Climática, declarando que para que os resultados sejam um sucesso, todos os países devem trabalhar juntos.

O representante pediu que os Estados mostrem como suas contribuições determinadas a nível interno serão reforçadas até 2020. Para ele, estas devem demonstrar como serão reduzidas as emissões de gases de efeito estufa em 45% na próxima década e obterão emissão líquida zero até 2050.

O secretário-geral anunciou que o evento dará uma forte ênfase à adaptação e resiliência, bem como ao financiamento da adaptação através de uma reposição significativa do fundo verde para o clima.